Entre os dias 26 a 28 de maio, em Brasília, ocorreu a 2ª Conferência Nacional de Arquivos (CNARq). Após 15 anos da primeira edição, o evento foi precedido por etapas estaduais quando Aline Krüger, Letícia Nedel, Priscila Rosa e Maria de Fátima Fontes Piazza foram eleitas delegadas de Santa Catarina.
A 2ª CNArq teve como tema central “Arquivos: agentes da cidadania e da democracia” e reuniu representantes do país a fim de debater políticas públicas, bem como definir prioridades para os arquivos públicos, privados e comunitários. Dividida em seis eixos, foram aprovadas 18 propostas, das quais foram destacadas pelo Giro do Arquivo:
- Eixo 1 (Marco Legal, Governança Arquivística e Perspectivas para uma Política Nacional de Arquivos) – Fiscalização arquivística pelos órgãos de controle e Selo Nacional de Gestão de Documentos
- Eixo 2 (Gestão de Documentos como Infraestrutura Democrática) – Gestão de documentos como critério obrigatório nas auditorias dos órgãos de controle
- Eixo 3 (Preservação e Patrimônio Arquivístico) – Criação do Programa Nacional de Preservação Arquivística
- Eixo 4 (Acesso, Transparência, Inclusão e Promoção da Cidadania) – Fomento a arquivos públicos, privados e comunitários como instrumentos de direitos humanos e memória
- Eixo 5 (Condições de Trabalho nos Arquivos e Ensino e Pesquisa em Arquivologia) – Criação dos Conselhos Federal e Regionais de Arquivologia
- Eixo 6 (Arquivos Privados e Comunitários, Pluralidade da Memória e Interesse Público e Social) – Redes de cooperação ténica e científica para arquivos privados e comunitários
A delegação catarinense também foi composta por Camila Lehmkuhl, Liziane Rocha, Bianca Souza, Camila de Oliveira, Sandra Nunes, Sílvia Kita, Micheline Peixoto e demais representantes do poder executivo. Na etapa estadual, contribuíram com a elaboração das propostas Caroline Pasa e Rita de Cássia Cunha, doutorandas do PGCin/UFSC, e a arquivista Giselle Viana.
Assim como na etapa estadual, o evento demonstrou a necessidade de reuniões regulares, visando a identificação de demandas locais, regionais e nacionais, promovendo a inserção de arquivistas e das práticas arquivísticas no debate, principalmente, nos orçamentos públicos.
Saiba mais em: https://www.2cnarquivos.org
O texto discutido na segunda foi sobre as viradas e voltas arquivísticos. O texto é de 2019, mas ainda muito atual, que retratou o grupo de pesquisa hoje, um grupo bem eclético de arquivistas, historiadores, museólogos e bibliotecários, bem como nosso olhar para os acervos, arquivos e centros de informação.
Um texto que nos fez refletir sobre o sair da prática, muitas vezes tecnicista (do guardar e do organizar) e nos levou a pensar fora disso, numa perspectiva social, antropológica e cultural. Eric Ketelaar traz um contraponto, bem ontológico do arquivo (digamos, tradicional) para a proposta da “virada” Arquivística, o quadro abaixo reflete os contrapontos ao longo do texto:
| ARQUIVOS “TRADICIONAIS” |
VIRADA DOS ARQUIVOS |
| Produto final (FIM) |
Processo (MEIO) |
| Fonte |
Locais epistemológicos |
| Armazém |
Resultados de práticas culturais |
| Práticas e métodos |
Teoria Multiverso – Abordagem multiformes. Múltiplas áreas/ Transdisciplinar |
| Repositório das história |
Um complexo de estruturas, processos e epistemologias. |
| Deposito passivo de coisas antigas |
Locais ativos onde o poder social é negociável, contestado e confirmado. |
O grupo refletiu sobre um olhar não só para o documento, mas além, para o processo: antes, durante e depois. Um processo de contextualização e ações de pessoas e instituições. Pensar os arquivos: para quem, o quê, onde e quando?
Estiveram presentes no encontro: Aline Carmes Krüger, Libia de Haro, Valentina Nunes, Ana Claudia Perpétuo de Oliveira, Ana Carolina Silvério Jonsson, Maria de Fátima Piazza, Leilane Feitosa Santana, Priscila Rosa Martins, Sabrina Martins e Letícia Nedel.

É com muito orgulho que compartilhamos a notícia: o pesquisador integrante do nosso grupo, Miguel Ângelo dos Santos Demétrio, foi homenageado com a Medalha Patrono Vevé, pela Academia Literária de Imbituba. Este reconhecimento destaca os trabalhos realizados através do Arquivo Pessoal de Jair Cardoso e da história de Imbituba, mostrando seu compromisso com a pesquisa histórica e a preservação da memória local. A realização da cerimônia ocorreu no 10/06, na Câmara dos Vereadores de Imbituba.
Ficamos muito felizes em ver o trabalho acadêmico de nossos integrantes sendo valorizado pela comunidade e por instituições culturais.
Parabéns, Miguel, por esta conquista!

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Venha para a próxima reunião de leituras, será no NEPEMI/CFH – 6º andar.
Discutiremos o texto “As viradas e as voltas arquivísticas”, de Eric Ketelaar, já enviado por e-mail.
Referência: GILLIAND, Anne J.; SUE, Mckemmish ; LAU, Andrew J. (orgs.). Pesquisa no Multiverso arquivístico. Tradução de Anna Cistina Rodrigues. Salvador: 9Bravos, 2019.