Peninha – Memória, acervo e legado para a História de Florianópolis

Resumo: Nascido em São Pedro de Alcântara, em 10 de agosto de 1949, Gelci José Coelho, o Peninha, foi um dos guardiões da história, memória, cultura e arte de Santa Catarina. Ingressou na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aos 21 anos de idade e trabalhou nesta Instituição até a aposentadoria. Na UFSC atuou junto ao Museu de Arqueologia e Etnologia Professor Oswaldo Rodrigues Cabral – MArquE, passando por todas as atividades de gestão e museologia até chegar ao cargo de Diretor do Museu, em 1996, no qual permaneceu até se desvincular da instituição em 2008. Foi um incansável apoiador e consultor para toda atividade cultural ligada à herança dos açorianos, dos descendentes das nações africanas e dos indígenas que habitam o nosso litoral. Foi um grande contador de histórias. Trabalhou com o artista e pesquisador Franklin Joaquim Cascaes por mais de uma década, quando foi seu assistente e aprendiz. No ano de 2023, após sua morte, a família doou seu acervo para a Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes. Este acervo, patrimônio artístico e cultural da cidade de Florianópolis, é constituído de muitos escritos, obras de artes visuais de sua autoria, conjuntos de livros, peças de valor museológico, fotografias, fitas de áudio, a obras de arte de artistas catarinenses. A organização e posterior divulgação desse acervo doado para a Fundação Cultura de Florianópolis Franklin Cascaes é objeto deste projeto. Este projeto tem por objetivos percorrer teoricamente e de forma prática as diferentes etapas de processamento dessa coleção, e aportar informações que contribuam para qualificar o acesso à documentação e acervo do Gelci José Coelho, agora reunido pela Fundação Cultural de Florianópolis. A partir de uma inicial organização que se objetiva fazer neste acervo , busca-se a ordenação gradativa do material com vistas a oportunizar fontes para pesquisas. A presente pesquisa justifica-se, entre tantas razões, pelo ineditismo do material a ser ordenado e classificado e pela pertinência de sua posterior utilização em trabalhos artísticos, históricos e culturais. A organização do acervo a ser feita necessita de recursos tanto no plano das instalações físicas como seu no preparo técnico para posterior consulta e disponibilização à comunidade de pesquisadores e por este motivo trata-se aqui de um início. Vislumbra-se, futuramente, após a execução deste projeto, realizar ações práticas de conservação e acondicionamento do acervo, visando sua melhor preservação. Também almeja-se, com o resultado desta pesquisa, poder realizar estudos e análises nas obras produzidas pelo Peninha, que tanto retratam o percurso artístico da cidade de Florianópolis, e são representativas para a compreensão da história da cidade. Do ponto de vista teórico metodológico considera-se que preservar uma memória e salvaguardar um acervo são formas de produzir um discurso sobre o passado e de projetar perspectivas sobre o futuro e nesse sentido, as instituições de acervos funcionam como agentes de mediação entre o passado(história e memória) e o presente (o acervo e sua ação política). O projeto irá percorrer as etapas de processamento de organização de arquivos pessoais, a partir de teorias e práticas desenvolvidas por outras instituições. Os procedimentos metodológicos irão se basear na metodologia de organização de arquivos pessoais proposta pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC, 1998), no Manual de organização de arquivos pessoais (Fiocruz/COC, 2015) e no Inventário Zila Mamede (Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, 2017). Ao transpor para os arquivos pessoais a metodologia de identificação recomendada para arquivos institucionais, entendemos que essa etapa compreende duas vertentes integradas de atividades: uma voltada para a identificação do contexto em que o arquivo foi formado – o que, no arquivo pessoal, equivale à trajetória de vida de seu produtor – e outra destinada à identificação dos próprios documentos. A primeira vertente deve resultar em um estudo biográfico do produtor do arquivo; a segunda, no mapeamento das tipologias documentais’ (MANUAL DEORGANIZAÇÃO DE ARQUIVOS PESSOAIS, 2015). As atividades serão desenvolvidas nas casas da Fundação Cultural de Florianópolis, que tem a guarda do acervo do Peninha, e na Universidade Federal de Santa Catarina. Observa-se que os estudos dos arquivos pessoais estão dispersos e carentes de discussões teóricas. Dessa forma, como resultados almeja-se uma oportunidade de reunir e incentivar debates acerca desses temas, bem como explorar caminhos de pesquisa e disseminar a existência desses arquivos e práticas em andamento; espera-se elaborar e publicar uma ferramenta de apoio (inventário), com vistas a favorecer a identificação, localização e pesquisas no acervo e realizar a organização técnica do acervo do Peninha na Fundação Municipal de Cultura Franklin Cascaes.

Integrantes: Aline Carmes Kruger (Coordenadora), Leticia Borges Nedel, Valentina da Silva Nunes, Ana Carolina Silvério Jonsson e Karen de Sant Ana Lisboa.

Financiamento: -.